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É provável que o “diálogo” entre Salviati, Sagredo e Simplício sobre a hipótese da luz se propagar instantaneamente ou demorar a chegar de um ponto a outro não tenha passado de uma experiência concetual. Galileu retomou a questão abordada pelos filósofos gregos séculos antes, e propôs uma experiência que acabaria por conduzir a consequência científica notável. É agora evidente que não poderia resultar, dado que o tempo gasto pela luz no percurso entre as duas montanhas seria largamente confundido com o tempo de reacção dos operadores das lanternas e a distância entre eles era demasiado pequena.Em 1609 Galileu observou quatro luas em volta de Júpiter, descoberta que permitiu a Olaus Roemer em 1676 estimar pela primeira vez a velocidade da luz. Roemer tomou Júpiter como uma das “montanhas” da experiência de Galileu, afastada da outra – a Terra – mais de quinhentos milhões de quilómetros. Registou os momentos dos eclipses de um dos satélites galileanos (Io) e verificou que a entrada e saída na sombra do planeta ocorria em intervalos de tempo que diferiam (mais de dezasseis minutos) consoante a posição relativa a Júpiter. Interpretou tal diferença como o tempo gasto pela luz para percorrer a distância equivalente ao diâmetro da órbita da Terra.

Galileu havia incentivado a natural curiosidade da comunidade científica e ofereceu a Roemer o caminho que levaria à determinação da “constante” e “universal” velocidade da luz.

Autor: Máximo Ferreira (Astrónomo)

Imagem: http://hypescience.com