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Einstein virou a Física do avesso: matéria e energia passaram a ser uma; o espaço e o tempo deixaram de ser separados; a massa encurva o espaço-tempo; e foram revelados mistérios da luz. Usou matemática, mas combinou-a com “experiências de pensamento”, misturas de lógica, intuição e visão unificadora que substituíam o trabalho de laboratório de que, parece, não gostava.Inventou uma nova forma de fazer física, sem paralelo desde a revolução de Galileu. Na época de Einstein, só as “experiências de pensamento” podiam mostrar que os relógios andam mais devagar para quem corre muito, e que uma bola de futebol em voo pode ser vista como achatada tal como uma bola de raguebi. E isto não são contos infantis, é o nosso mundo.

A revolução de Einstein foi também sociológica. A ciência deixou de ser vista apenas como útil. Tal como a arte, cativa o sonho, cria emoção, alimenta o mistério. As estrelas, grandes reactores de conversão de massa em energia, são a nossa origem e destino. Os buracos negros, no centro das galáxias, são os maiores devoradores de massa e luz do universo.

A revolução foi também tecnológica. E ainda não acabou. Einstein deu-nos o laser. Serve para comunicações, oftalmologia, indústria, impressoras. Deu-nos células fotoeléctricas, usadas por exemplo nas portas dos elevadores. E até um exame médico (PET) que consiste na aniquilação matéria-anti-matéria: a fórmula E=mc2 em acção. A Física ficou do avesso e a nossa vida também.

Autor: Teresa Peña (Física)